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Indústria alimentar inova com um pé na saúde, outro na indulgência; uma mão na sustentabilidade e outra no preço

As tendências do setor agroalimentar para 2026 evidenciam a duradoura e crescente relevância das proteínas, em particular as de origem vegetal, e da saúde digestiva, num contexto em que os consumidores valorizam cada vez mais uma oferta que combine benefícios para a saúde, a indulgência, a sustentabilidade ambiental e a acessibilidade económica. Estas tendências refletem uma abordagem holística do consumo, em que estes fatores se articulam para responder às expectativas de um mercado global cada vez mais exigente e informado.

A evolução tecnológica, a inteligência artificial, o investimento na sustentabilidade e a inflação motivada por guerras, instabilidade geopolítica e por questões climáticas estão a mudar os padrões de consumo e a definir novos caminhos no setor agroalimentar. O preço dos produtos continua a ser uma preocupação para os consumidores, mas há outros fatores que assumem especial importância no momento da compra dos alimentos e bebidas. A aposta em produtos proteicos, sobretudo os de origem vegetal, assim como aqueles que trazem maior benefício para a saúde – particularmente intestinal e mental, os que são “mais amigos do ambiente e do planeta” e os que trazem maior prazer estão agora no topo das preferências dos consumidores e marcam as tendências do setor agroalimentar para o ano 2026.  Estando cumprida a necessidade básica de “se alimentar”, os consumidores acrescentam camadas de critérios à seleção dos alimentos e bebidas que lhes permitam obter benefícios para o corpo e a mente, vivenciar experiências familiares e/ou inovadoras e que incluam conveniência e funcionalidade. Num mundo em constante mudança e cada vez mais global, os consumidores procuram também identidade e autenticidade dos produtos, numa evocação à tradição e às origens.

Estas são algumas das conclusões que a consultora internacional Innova Market Insights, a convite da PortugalFoods, entidade gestora do Portuguese Agrofood Cluster, apresentou no seminário “Trends 2026”, que juntou na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, mais de 300 representantes da indústria agroalimentar e do sistema científico e tecnológico nacional.

“As tendências do setor agroalimentar para 2026 confirmam uma evolução clara nas preferências dos consumidores, que procuram cada vez mais produtos que combinem saúde, sustentabilidade e prazer, sem comprometer o valor económico. Esta conjugação de fatores desafia o setor a inovar de forma responsável e colaborativa, reforçando o papel estratégico das cadeias agroalimentares nacionais e internacionais na promoção de sistemas alimentares mais saudáveis, resilientes e inclusivos”, refere Deolinda Silva, Diretora Executiva da PortugalFoods. “É interessante constatar que a saúde, o prazer, a sustentabilidade ambiental e a acessibilidade económica deixam de ser valores isolados para se tornarem pilares integrados de decisão, orientando o desenvolvimento de produtos e modelos de negócio mais alinhados com os desafios sociais e ambientais que enfrentamos”, acrescenta.

“O estudo Trends 2026 evidencia uma convergência clara entre inovação científica, expectativas do consumidor e responsabilidade sistémica. Observamos que áreas como as proteínas alternativas, a saúde digestiva e alimentos funcionais deixam de ser nichos para se tornarem motores centrais de crescimento, enquanto fatores como prazer, sustentabilidade e preço passam a ser avaliados de forma integrada nas decisões de compra a nível global”, refere Enric Tardio, da Innova Market Insights, consultora que anualmente monitoriza o comportamento do consumidor e o lançamento de novos produtos a nível global, desenvolvendo uma análise aprofundada às principais tendências de consumo e apontando as oportunidades de inovação para a indústria e para as marcas alimentares.

Num contexto em que os consumidores pretendem cuidar de si e do planeta, a indústria deve, no seu portefólio de produtos e na sua comunicação, considerar as 10 grandes tendências reveladas pelo estudo Trends 2026 e que vão impactar o setor agroalimentar este ano e a médio prazo:

  1. Powerhouse Protein: A proteína consolida-se como aliada do bem-estar global. Três em cada cinco consumidores inquiridos inclui ativamente mais proteína na sua dieta e mais de 32% (vs 2025) dos consumidores estão atentos ao lançamento de novos alimentos e bebidas que demonstrem que a proteína presente traz benefícios para a sua saúde. Face a 2025, registou-se um crescimento de 29% no lançamento de produtos com alegações de proteína e controlo de peso.
  2. Gut Health Hub: A saúde digestiva é vista como base do bem-estar holístico. Para 59% dos consumidores é muito importante e 44% reconhece benefícios em áreas como energia, pele e imunidade. O lançamento de produtos com alegações de saúde digestiva cresceu 42% face a 2025.
  3. Layers of Delight: A indulgência alimentar torna-se multidimensional, combinando conforto, melhoria do mood e experiências sensoriais ricas. O número de novos produtos associados ao ‘conforto’ cresceu 107% e os lançamentos de novos produtos alimentares que prometem momentos de prazer aumentaram 26%.
  4. Beverages with Purpose: As bebidas lideram a inovação em bem-estar, com foco em hidratação, praticidade e funcionalidade. Registou-se um crescimento de 51% no lançamento de refrigerantes e bebidas energéticas com argumentos pré-bióticos.
  5. Authentic Plant-Based: Os produtos de origem vegetal afastam-se da lógica de imitação e afirmam-se pela nutrição. Para 55% dos consumidores, devem afirmar-se como produtos alimentares, com identidade e benefícios próprios, em vez de existirem apenas como versões substitutivas de produtos convencionais.
  6. Made for Moments: A inovação orientada por ocasiões de consumo impulsiona o desenvolvimento de snacks, refeições frescas e produtos em monodose, refletindo novas dinâmicas familiares e estilos de vida.
  7. Worth Every Bite: A acessibilidade económica é decisiva para a fidelização e escolha do cliente. 27%  dos inquiridos valoriza sobretudo alimentos acessíveis e as marcas próprias ganham relevância, com crescimento de 7% no lançamento de novos produtos.
  8. Mind Balance: O bem-estar mental e emocional assume prioridade, sobretudo entre a Geração Z e Millennials. o aparecimento dos adaptogénicos está a introduzir uma nova onda de produtos, registando-se um crescimento de 18% no lançamento de novos produtos.
  9. Crafting Tradition: Em tempos de incerteza, a herança gastronómica influencia as escolhas dos consumidores quando oferece conforto, identidade e autenticidade. 23% dos inquiridos afirmam que continuam a utilizar receitas tradicionais; 17% afirma explorar outras culturas através da comida.
  10. Justified Choices: A sustentabilidade mantém-se determinante quando é clara, transparente e autêntica. Dois em cada cinco consumidores consideram-na essencial na compra e aceitam pagar mais quando o impacto positivo é evidente.

No evento foi ainda apresentada a Estratégia de Internacionalização do Setor Agroalimentar 2025-2030, integrada no projeto Portugal Excecional 2030. Esta ação traça um diagnóstico aprofundado do posicionamento de Portugal no comércio mundial e evidencia um crescimento das exportações, que praticamente duplicaram na última década, bem como uma especialização em produtos associados à qualidade e à diferenciação. Foi igualmente destacado o trabalho desenvolvido pela PortugalFoods, de promoção internacional da indústria agroalimentar nacional, no âmbito da Agenda Mobilizadora VIIAFOOD (Plataforma de Valorização, Industrialização e Inovação Comercial para o Agroalimentar – n.º C644929456-00000040), especialmente no Pilar 8 – Promoção e Internacionalização do Setor Agroalimentar , tendo sido destacadas as ações realizadas no Japão e na Coreia do Sul;  que evidenciam a relevância estratégica destes dois países para o setor, com grande potencial de aprofundamento das relações económicas.

Para mais informação contacte-nos através do telefone (+351) 220 944 577 ou via email para knowledge.division@portugalfoods.org